MEI ou Simples Nacional em 2026: qual é o melhor para o seu comércio?
Abrir um pequeno comércio ou restaurante esbarra cedo numa decisão que pesa no bolso: ser MEI (Microempreendedor Individual) ou entrar no Simples Nacional como microempresa? As duas opções são legais e populares, mas servem a momentos diferentes do negócio. Este guia explica, em linguagem direta, os limites de faturamento, quem pode ser MEI, quanto se paga de imposto, as obrigações de cada regime e o sinal de que chegou a hora de migrar.

MEI e Simples Nacional: a diferença essencial
Uma confusão comum é tratar MEI e Simples Nacional como coisas opostas. Na verdade, o MEI é uma porta de entrada simplificada dentro do próprio Simples Nacional. Pense numa escada: o MEI é o primeiro degrau, pensado para o empreendedor que está começando, fatura pouco e quer pagar imposto de forma fixa e barata. O Simples Nacional "completo" é o degrau seguinte, para microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) que cresceram.
A grande diferença prática está em como o imposto é calculado. No MEI, você paga um valor fixo por mês, independentemente de ter vendido muito ou pouco. No Simples Nacional, o imposto é um percentual sobre o que você faturou: vendeu mais, paga mais; vendeu menos, paga menos. Essa lógica muda tudo na hora de comparar custos.
Quem pode ser MEI em 2026
Nem todo mundo se enquadra como MEI. De forma geral, para abrir e manter um MEI é preciso reunir as seguintes condições:
- Faturar até R$ 81.000 por ano (veremos o detalhe na próxima seção).
- Exercer uma atividade permitida — há uma lista oficial de ocupações autorizadas. Profissões regulamentadas, como médicos, advogados, engenheiros, arquitetos, contadores e dentistas, normalmente não podem ser MEI.
- Não participar de outra empresa como sócio, titular ou administrador.
- Não ser servidor público federal em atividade (para outros vínculos públicos, as regras variam — confirme o seu caso).
- Ter, no máximo, um funcionário, que deve receber até um salário mínimo ou o piso da categoria.
Vale um lembrete útil para quem ainda tem carteira assinada: em muitos casos, um trabalhador CLT também pode abrir um MEI em paralelo, desde que a atividade esteja na lista e as demais regras sejam respeitadas. Como há exceções (especialmente para alguns vínculos), confirme antes de formalizar.
Limites de faturamento: o número que decide quase tudo
O limite é, provavelmente, o fator mais decisivo na escolha entre os dois regimes.
O teto do MEI
O limite de faturamento do MEI é de R$ 81.000 por ano, o que dá uma média de R$ 6.750 por mês — mas o que conta é o total do ano, não o mês a mês. Para quem abre o MEI no meio do ano, o limite é proporcional aos meses de atividade (R$ 6.750 multiplicado pelo número de meses restantes).
Esse valor está em vigor há vários anos. Existem, recorrentemente, propostas no Congresso para aumentar o teto do MEI, e é comum ver notícias sobre o assunto. No entanto, enquanto uma mudança não for aprovada e publicada oficialmente, continua valendo o limite atual. Desconfie de números diferentes sem fonte oficial e confirme sempre no Portal do Empreendedor.
O teto do Simples Nacional
O Simples Nacional comporta empresas bem maiores. O limite anual de receita bruta é de R$ 4,8 milhões. Dentro disso, há duas faixas:
- Microempresa (ME): faturamento anual de até R$ 360.000.
- Empresa de pequeno porte (EPP): faturamento anual acima de R$ 360.000 e até R$ 4,8 milhões.
Em resumo: o MEI cobre quem fatura até R$ 81 mil; acima disso, o caminho natural é o Simples Nacional como ME e, mais adiante, como EPP.
Impostos: o DAS do MEI x o DAS do Simples
Os dois regimes usam uma guia única chamada DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), mas o valor é calculado de formas completamente diferentes.
Quanto paga o MEI
Aqui está o grande atrativo: o MEI paga um valor fixo mensal, que reúne a contribuição previdenciária (INSS, equivalente a 5% do salário mínimo) e mais um pequeno valor de imposto conforme a atividade — ICMS para comércio e indústria, ISS para serviços. Como esse valor acompanha o salário mínimo, ele é reajustado todo ano.
Em 2026, os valores giram em torno de:
- Comércio e indústria: cerca de R$ 82 por mês (INSS + R$ 1,00 de ICMS).
- Serviços: cerca de R$ 86 por mês (INSS + R$ 5,00 de ISS).
- Atividade mista (comércio e serviços): cerca de R$ 87 por mês.
O ponto-chave: esse valor não muda com o seu faturamento. Faturou R$ 2.000 ou R$ 6.000 no mês, o DAS é o mesmo. Por isso o MEI é tão econômico para quem já tem um bom volume de vendas dentro do limite.
Como os valores acompanham o salário mínimo, eles mudam a cada ano. Confirme a tabela vigente do DAS do MEI no Portal do Empreendedor antes de fazer suas contas.
Quanto paga uma empresa no Simples Nacional
No Simples Nacional, o imposto deixa de ser fixo e passa a ser um percentual sobre o faturamento. O regime é organizado em cinco anexos, conforme a atividade — por exemplo, o Anexo I costuma reunir o comércio (lojas e revendas), enquanto serviços ficam em outros anexos. Cada anexo tem faixas progressivas: quanto maior a receita acumulada nos últimos 12 meses, maior a alíquota.
A alíquota inicial do comércio parte de um patamar baixo e sobe conforme a empresa cresce. Importante: a chamada alíquota efetiva (a que você realmente paga) é menor do que a "alíquota nominal" da tabela, por causa de uma parcela a deduzir prevista na fórmula. O cálculo correto depende do anexo, da atividade (CNAE) e do histórico de faturamento — e é justamente por isso que, no Simples Nacional, contar com um contador deixa de ser opcional.
Obrigações de cada regime
Os dois regimes pedem disciplina, mas em níveis bem diferentes.
Obrigações do MEI
- Pagar o DAS todo mês, mesmo nos meses sem faturamento.
- Enviar a Declaração Anual (DASN-SIMEI) uma vez por ano — normalmente até o fim de maio, com os dados do ano anterior. Ela deve ser enviada mesmo que não tenha havido faturamento; o atraso gera multa.
- Guardar um relatório mensal das receitas e as notas fiscais de compras e vendas.
- Emitir nota fiscal nas vendas para outras empresas (pessoa jurídica); para o consumidor final, as regras de emissão variam.
Se você vende ao consumidor no balcão, vale entender também como funciona a parte de documentos fiscais no varejo. O nosso guia sobre sistema PDV e NFC-e ajuda a clarear esse ponto.
Obrigações no Simples Nacional
Aqui as exigências aumentam: além do DAS mensal calculado sobre o faturamento, há escrituração contábil, declarações periódicas, controle fiscal mais detalhado e obrigações trabalhistas caso a empresa tenha funcionários. É um volume de tarefas que, na prática, praticamente exige acompanhamento contábil contínuo.
Vantagens e desvantagens de cada caminho
👍 Pontos fortes do MEI
- Custo mensal baixo e fixo, fácil de prever
- Abertura gratuita e simples, sem burocracia
- CNPJ, conta PJ e emissão de nota fiscal
- Direito a benefícios do INSS (aposentadoria, auxílios)
- Pouca obrigação acessória; dispensa contador para o básico
👎 Limites do MEI
- Teto de faturamento baixo (R$ 81 mil/ano)
- Apenas um funcionário permitido
- Lista restrita de atividades
- Não permite sócios
- Cobertura do INSS mais limitada que a do contribuinte comum
👍 Pontos fortes do Simples Nacional
- Limite de faturamento muito maior (até R$ 4,8 mi/ano)
- Permite sócios e vários funcionários
- Abrange quase todas as atividades
- Imposto proporcional: paga menos quando vende menos
- Imagem de empresa "maior" perante fornecedores e bancos
👎 Custos do Simples Nacional
- Imposto cresce com o faturamento
- Contador praticamente indispensável
- Mais obrigações e declarações
- Cálculo do DAS mais complexo
- Custo fixo mensal maior, mesmo em meses fracos
Quando migrar do MEI para o Simples Nacional
A migração pode ser uma escolha (você decide crescer) ou uma obrigação (a lei exige). Os sinais mais comuns de que chegou a hora são:
- Você ultrapassou — ou está perto de ultrapassar — os R$ 81 mil por ano. Esse é o motivo número um.
- Você quer ter um sócio ou abrir uma sociedade.
- Você precisa de mais de um funcionário.
- Sua atividade saiu da lista permitida ao MEI, ou você quer exercer uma ocupação não autorizada na categoria.
No caso do estouro do limite, há uma regra de tolerância importante: se o faturamento ultrapassar os R$ 81 mil em até 20% (ou seja, até R$ 97.200), o desenquadramento costuma valer a partir de janeiro do ano seguinte. Se o excesso for maior que 20%, o desenquadramento pode retroagir a janeiro do próprio ano, com recálculo dos impostos como microempresa — o que pode pesar. Os prazos de comunicação têm datas específicas e multas para o atraso.
Como abrir o MEI (visão geral)
Se a sua situação se encaixa no perfil de MEI, a formalização é gratuita e feita de forma digital. Em linhas gerais, o caminho é:
- Acessar o Portal do Empreendedor (gov.br/empresas-e-negocios) com a sua conta gov.br.
- Conferir se a sua atividade está na lista de ocupações permitidas.
- Preencher os dados e escolher as atividades (principal e secundárias).
- Concluir o cadastro e receber o CNPJ na hora.
- Começar a pagar o DAS mensalmente e organizar suas notas desde o primeiro dia.
O processo é simples de propósito. Ainda assim, em caso de dúvida sobre a atividade certa ou sobre obrigações específicas do seu município, uma conversa rápida com um contador (ou com o atendimento gratuito do Sebrae) evita retrabalho.
Tabela comparativa
| Critério | MEI | Simples Nacional (ME/EPP) |
|---|---|---|
| Limite de faturamento/ano | R$ 81.000 | Até R$ 4,8 milhões |
| Forma do imposto | Valor fixo mensal | % sobre o faturamento |
| Funcionários | Até 1 | Vários |
| Sócios | Não permite | Permite |
| Atividades | Lista restrita | Quase todas |
| Contador | Opcional para o básico | Praticamente indispensável |
| Declaração anual | DASN-SIMEI (simples) | Mais declarações |
Quadro comparativo informativo elaborado em junho de 2026 com base em informações públicas. Valores, limites e regras mudam com frequência — confirme no Portal do Empreendedor (gov.br) e com o seu contador antes de decidir.
Perguntas frequentes
Qual o limite de faturamento do MEI em 2026?
O limite vigente é de R$ 81.000 por ano (média de R$ 6.750 por mês), valor em vigor há vários anos. Há propostas para aumentar o teto, mas, enquanto não forem aprovadas e publicadas, vale o limite atual. Confirme no Portal do Empreendedor.
O que é melhor, MEI ou Simples Nacional?
Depende do faturamento, da atividade e dos seus planos. O MEI é a porta de entrada mais barata para quem fatura até R$ 81 mil/ano, exerce atividade permitida e tem no máximo um funcionário. O Simples Nacional é o passo natural para quem cresce, quer sócios ou mais funcionários. Avalie cada caso com um contador.
Quem pode ser MEI em 2026?
Em geral, quem fatura até R$ 81 mil/ano, exerce uma ocupação permitida, não participa de outra empresa como sócio ou titular, não é servidor público federal em atividade e tem, no máximo, um funcionário. Profissões regulamentadas costumam ser excluídas. Verifique a sua ocupação no Portal do Empreendedor.
Quanto o MEI paga de imposto por mês em 2026?
Um valor fixo pelo DAS, que reúne INSS (5% do salário mínimo) mais ICMS e/ou ISS. Em 2026, gira em torno de R$ 82 para comércio/indústria, R$ 86 para serviços e R$ 87 para atividade mista. Como acompanha o salário mínimo, confirme a tabela atualizada do ano.
Quando devo migrar do MEI para o Simples Nacional?
Quando ultrapassa o limite de faturamento, passa a exercer atividade não permitida, quer ter sócio ou precisa de mais de um funcionário. No estouro de até 20% do teto, o desenquadramento costuma valer a partir de janeiro do ano seguinte; acima disso, pode retroagir. Trate o tema com o contador o quanto antes.
O MEI precisa de contador?
A lei não obriga o MEI a ter contador para o básico (pagar o DAS e enviar a declaração anual). Ainda assim, o apoio contábil ajuda a evitar erros e a planejar o crescimento. Já no Simples Nacional, a contabilidade é praticamente indispensável.